A Síndrome do Stress
Tibial Medial (canelite medial) gera uma dor característica, na região
interna da perna, junto ao osso da tíbia. Quais estruturas, porém, são as
verdadeiras geradoras das dores?
Buscando responder a essa pergunta foi realizado um estudo,
feito com cadáveres, que buscou correlacionar o local da dor geralmente referida pelos pacientes, com as estruturas
anatômicas lá localizadas (1).
Foram analisados 22 pares de pernas, oriundos de 13
diferentes indivíduos (2 mulheres), e o que foi observado é que, em primeiro lugar, o músculo tibial posterior não se fixa na
região das dores e portanto, não parece estar envolvido com as dores da
canelite medial. Por outro lado, o músculo flexor longo dos dedos e o músculo
sóleo estavam, de fato, localizados nas regiões que as pessoas com canelite normalmente referem dor.
* imagem oriunda do estudo (1), mostrando
os pontos de fixação do sóleo, do flexor longo
dos dedos e do tibial posterior
O músculo flexor
longo dos dedos se fixava no terço médio da tíbia, na região interna
(medial) e posterior, enquanto o músculo
sóleo estava em região similar, mas um pouco mais acima (proximal) na
tíbia.
Outra estrutura que estava na região das dores é a fáscia crural profunda, que se fixava
na região medial da tíbia, da metade para cima (dois terços proximais) dos
osso.
Os autores destacam que, em cerca de 50% dos casos, o músculo flexor longo dos dedos também apresentava
fixação no terço inferior da perna (terço distal). As dores da canelite medial,
em geral, acontecem nas regiões intermediárias e inferiores da perna e o estudo
das estruturas (1), conforme apresentado no estudo em questão, parece mostrar
uma relação.
Porém, parecem haver diferenças entre homens e mulheres,
conforme nos mostra outro estudo (2). Nele, foi feita a comparação entre homens
e mulheres, e o que se observou foi que, em mulheres, a frequência com que se encontrava o músculo sóleo se
fixando na parte intermediária e inferior (terço médio e terço distal) da tíbia
era muito maior. A proporção de indivíduos em que isso acontecia era de 33%
para os homens e 72% na mulheres. Porém, a proporção em que isso acontecia para
o flexor longo dos dedos era ainda maior. Ainda assim, como ressaltam os
autores desse estudo (2), isso talvez possa explicar a diferença de incidência,
maior em mulheres, da canelite medial.
Referrências
Bibliográficas
1- Brown
AA. Medial Tibial Stress Syndrome: Muscles Located at the Site of Pain. Scientifica
(Cairo). 2016;2016:7097489.
2- Edama M, Onishi H, Kubo M, Takabayashi T, Yokoyama E, Inai T, et al. Gender differences of muscle and crural fascia origins in relation to the occurrence of medial tibial stress syndrome. Scand J Med Sci Sports. 2015 Dec 10;

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